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Sobre Thiago Cavalcanti no XI Congreso Internacional de Mayistas

Meu nome é Thiago José Bezerra Cavalcanti (CV/Lattes), sou um antropólogo brasileiro e mestre em sociologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e atualmente curso o doutoramento em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde criança, me interesso por astronomia e meu primeiro contato com algum tipo de conhecimento indígena foi através da “etno”matemática maya (e, pouco depois, sua aplicação calendárica, também conhecida como “conta longa”) – mais de meia vida atrás.

Sou um pioneiro pesquisador mayanista (dedicado a estudar os mayas) que trabalha para o crescimento do campo em língua portuguesa. Publiquei alguns artigos e um livro gratuito em 2012, ainda no meio da graduação, como contribuição inédita ao conhecimento sobre os calendários e os debates acerca do “ciclo de 2012″, que infelizmente não foram fomentados em português à época do “fim do mundo”. Trabalhei antes da academia também para esclarecer as diferenças entre os calendários mayas e suas releituras estrangeiras, uma busca que me levou a passar adiante algumas “novidades”: existe um universo maya (passado, presente e futuro) sendo ignorado por adeptos da “nova era” que vivem uma relação “transcendental” com os mayas.

Apesar de minha trajetória acadêmica ser ainda curta (8 anos), em 2005-2006 iniciei uma jornada mais intensa de pesquisas independentes sobre os sistemas calendáricos mayas e mesoamericanos. Como o homem por trás do Projeto CMAIA (Calendário MesoAmericano Independente e Aberto) desde outubro de 2006, desenvolvi grandes contribuições que podem auxiliar nas pesquisas tanto de mayanistas quanto de mayas, como por exemplo o Conversor de Ciclos mayas (online há 11 anos e periodicamente melhorado em diferentes versões – a mais completa ferramenta de seu tipo na web).

Em 2014, iniciei um projeto para o campo mais amplo dos estudos mesoamericanos, o repositório Acervo Mesoamericano. Ainda que os ciclos de formação acadêmica deixem pouco tempo para o seu desenvolvimento atualmente, toda a comunidade está convidada a juntar-se num esforço coletivo para compartilhar os estudos mesoamericanos publicamente (acesso livre e código aberto).

Durante o mestrado, saí um pouco da minha especialidade (calendários mayas) para fazer uma dissertação sobre identidade maya e movimento indígena. Afinal, compreender o que é "maya" é imprescindível para um melhor entendimento do que é um "calendário maya". Ainda no fim do mestrado, idealizei (junto a outros colegas pesquisadores) o Encontro Ibero-Americano de Estudos Mayas, evento totalmente gratuito e que está indo para sua terceira edição em 2019.

Agora, como estudante de doutorado, volto minhas atenções novamente para os calendários mayas, para sua diversidade de contas e epistemologias ao longo da história e especialmente na Guatemala contemporânea. O começo deste novo ciclo coincidiu com a realização do XI Congreso Internacional de Estudios Mayas, o maior congresso do mundo nesta área, e que acontece apenas a cada 3 (três) anos. Fui aceito para apresentar, tendo como coautor meu atual orientador (Rundsthen Vasques de Nader), a seguinte proposta (em espanhol):

 

Título: Entre ajq’ijab’, años nuevos y años viejos: tradiciones y reelaboraciones de los calendarios mayas y el (Ja’)Ab’ de 365 días

Resumo: Esta ponencia pone atención en los calendarios mayas utilizados en Guatemala (siglos XX y XXI), y la diversidad de tradiciones de cuentas de 365 días. Si lo “maya” es también una construcción mayista con mirada hacia élites antiguas y sus calendarios, no es sorpresa que las cuentas calendáricas sean valoradas en diferentes contextos de afirmación de la identidad maya. Entre unidad y diversidad, “continuidad cultural” y reelaboraciones y invenciones de tradiciones, nuevas (y “viejas”) versiones del “calendario maya” ganan sentidos en un mundo (pan-)maya. En esa ponencia, partiendo de experiencias etnográficas y investigaciones en Guatemala, se va a (1) analizar relaciones entre calendarios mayas y identidades hoy en día y (2) documentar tradiciones y fechas de año nuevo utilizadas actualmente por mayas. Dichas investigaciones permiten afirmar que existen diferentes sistemas del calendario (Ja’)Ab’, y que todos los grupos de “cargadores de año” (Mam) están en uso en el siglo XXI.

Palavras-chave: marcadores de la diferencia, espiritualidad maya, tiempo, estructura, historia y antropología.

 

É por isto que estou pedindo por seu apoio financeiro, de maneira a tornar possível minha ida, pela primeira vez, a este congresso. Você pode ver mais informações sobre a "vaquinha" aqui: Financiamento coletivo: Thiago Cavalcanti no XI Congreso Internacional de Mayistas. Contatos são também muito apreciados. Meu endereço de e-mail é Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e tod@s são convidados a enviar seus comentários, críticas, dicas, pensamentos, tudo!