O blog de um antropoloko

Comecei a escrever.

Escrevi, escrevi... Uns 4 parágrafos. Aí o netbook (que tem sido meu computador "de produção" há alguns anos) mais uma vez desligou (bateria morta + cabo com mau contato). Perdi tudo.

Registrei o domínio calendariomaya.net em 2016! Há quase três anos...

Meu projeto de doutorado é também (ou melhor, antes) um projeto de vida. Fosse diferente, talvez cá não estivesse. Pois estava eu, ainda no meio do mestrado, quando este sonho (com doses de pesadelo) começou, e este domínio foi pensado já com vistas para o doutorado.

Mais especificamente, mal havia retornado de dois meses e meio bastante intensos, no México e na Guatemala. Minha viagem para o trabalho de campo do mestrado (dois meses na Guatemala) foi possível graças a uma vaquinha, que acabou sendo com ida e volta via Cancún (afinal, mil reais a menos compensava aturar a turistada por um dia).

Para viabilizar aquela viagem, eu lancei um site-vaquinha. Registrei um domínio da Índia(!), e brinquei com a língua inglesa: nascia o let.tcavalcanti.in. Que eu deixaria morrer no começo deste ano de 2019, afinal nem todo site nasce para ser eterno. A não ser que o dono do site - ou um seguidor aficcionado - ame a Wayback Machine, mantida pelo Internet Archive, como eu. Assim, pelo menos qualquer um consegue acessar o let.tcavalcanti.in, mesmo ela já sendo falecido.

Eu estava dizendo que não iria falar disto, mas o netbook me deixou na mão de novo! Então voltei para repetir na teimosia. Mesmo VOCÊ, nobre pesquisador ou curioso, pode ajudar a salvar uma página - ou um site inteiro! - para a posteridade. Para isto, basta colocar o endereço da página a ser salva após o "/save/" e esperar a mágica ser feita. Como exemplo, se você quiser salvar a página inicial deste site, o link de "salvar página no Wayback Machine" fica assim: https://web.archive.org/save/http://www.calendariomaya.net. Basta assistir enquanto a mágica é feita: terás o conteúdo de http://www.calendariomaya.net (leia-se: página inicial), tal qual ele estava no momento do salvamento, e para sempre.

Pois bem! Aquela vaquinha do mestrado, que graças à Wayback Machine você pode continuar acessando até o fim dos seus dias, foi certamente meu primeiro movimento mais consequente na direção de compartilhar não apenas minha produção e um pouco mais da minha pesquisa para o público em geral, mas também dividir mais da coisa "em andamento", em lugar de apenas um trabalho já finalizado. Eu já havia criado o Acervo Mesoamericano, por exemplo, mas nada se compara: você já viu alguém publicizar o texto da qualificação?! Eu, nunca - só conheço meu caso (deve ter outros malucos, espero). Afinal, trata-se de um texto que se apresenta na metade do mestrado ou do doutorado, e geralmente apenas uns professores escolhidos a dedo (que cabem numa mão) têm acesso.

Foi assim que, da morte anunciada do let.tcavalcanti.in, nasceu este site - o CalendarioMaya.NET. Afinal, logo quando retornei da viagem, e com a campanha de financiamento bem sucedida, pensei que eu poderia - mais, deveria - fazer melhor no doutorado. Então o calendariomaya.net foi idealizado para servir como espécie de extensão da minha tese desde o início, em que eu poderia ir compartilhando o "processo" ao longo dos quatro anos e os avanços da pesquisa com o mundo - algo que em algum momento eu chamei de ciência aberta. A ideia de um site apenas para mim ou para o meu doutorado, entretanto, parecia-me algo egoísta, e de fato logo concluí que ele poderia - deveria - substituir meu bom e velho CalendarioSagrado.ORG (que não foi meu primeiro site, mas meu primeiro domínio, em 2008). Os vários meses foram se passando, e eu já havia incorporado a certeza de que este novo site seria um portal.

Ironicamente, em 2016 eu não contei com um real da UFF, para ir ao campo do mestrado; em 2019, eu não contarei com um real da UFRJ, para ir ao principal congresso da minha área. Calhou de o tal site, que nasceu com a (boa) morte de uma vaquinha, nascesse (aos olhos do mundo) também com uma outra vaquinha. Em 2016, apesar do sucesso, a academia foi decepcionante. Dos professores do mestrado, apenas meu orientador fez uma doação; os gringos especialistas em mayas foram outra decepção. Foram os "normais", os não-acadêmicos, majoritarianente brazucas, que me salvaram. Se 2019 será diferente, não sei, mas certamente será surpresa, se for...

Como ficou claro(?!), talvez nas últimas duas semanas o 2019 veio ao encontro do 2016, pelo menos nestes sentidos marcantes da minha vida - Ironicamente, em ambos os casos me conduzindo a Cancún, não pelas praias, mas como mera escala, um lugar de passagem para coisas mais importantes.

Era uma vez, 2011, início da minha jornada acadêmica. Era disso que eu ia falar neste texto. Mas eu sou de devaneios e divagações... E o netbook ajuda.