Um calouro antropothiago

Era uma vez 2011.

Começo de 2011. Foi, segundo a memória permite lembrar, a única vez em que levei a sério essa coisa de "blog". Eu havia sido aprovado, no fim do ano anterior, para o curso de graduação Ciências Sociais na Universidade Federal Fluminense (UFF). Esta escolha, claro, se deu muito graças à antropologia, afinal eu já me via como um especialista em calendários mayas - o que implicava nessa coisa do interesse pelo "índio", cujo caminho conduz "naturalmente" à antropologia, sabe como é.

Eu já nem me lembrava disto, mas inaugurei o tal do blog um mês antes do início das aulas. A coisa acabou não durando muito - só publiquei ali entre fevereiro a junho de 2011. Em vários dos textos publicados, eu relatava minhas expectativas em relação à universidade, bem como o que acontecia em alguns dias, naquele meu semestre de calouro.

Parece que o quase-sustenido já havia cansado da brincadeira de escrever no blog, na transição do primeiro para o segundo semestre - ao mesmo tempo em que começou a escrever (para logo depois publicar) seu primeiro artigo numa revista acadêmica.

Estava ontem às voltas com meu pensamento: que nome eu poderia dar a este novo blog? "Doutorando", talvez, ou alguma brincadeira com "PhD"? Pensei comigo primeiro; mas não, me pareceu demasiado esnobe... Passou pela cabeça que haveria ser um nome que vinculasse com o tempo. Com os mayas, talvez? Não, melhor algo mais genérico sobre o tempo. Já pensou em "antropotempo"? Ou "antropoloko"? É, pode ser uma boa...

Foi então que me veio um estalo: por que não "antropothiago"? O blog é seu mesmo, e o nome daria brecha para falar algo sobre você ou divagar em textos mais livres, que pode dar um bom tom ao mesmo tempo em que marca essa coisa de "antropólogo". Afinal, preciso ser levado com seriedade - e este blog também (hahahaha).

"É... Eu usei esse nome num blog uma vez, não?"

O estalo da sugestão era, ao mesmo tempo, o estalo de uma memória e de um tempo por anos olvidado. Querendo ou não, eu já havia esboçado um pouco disto que ando buscando novamente desde o mestrado: o compartilhar da vida acadêmica, e dos avanços na universidade, para além da academia.

Antropothiago seja!