Sobre a palestra da Carol e as Jornadas Mesoamericanas

No dia 24 de abril, ocorreu o primeiro evento organizado por mim na UFRJ - para quem não sabe, estou doutorando lá desde março.

Desde o ano passado (ou do fim de 2017?!), eu tinha esse projeto de iniciar as "Jornadas Mesoamericanas" - que, espero, vingarão enquanto eventos pequenos, locais, relacionados aos Estudos Mesoamericanos e com formatos variáveis (palestras, mesas, debates, etc). Não deixa de ser uma proposta para movimentar o calendário da Associação Ibero-Americana de Estudos Mayas (que ainda está em formação), para não ficarmos tão restritos ao nosso "carro-chefe", o Encontro Ibero-Americano de Estudos Mayas que, em 2019, vai para sua terceira edição (e encontra-se com chamada aberta para propostas).

Por conta de nossa própria desmobilização, entretanto, a primeira (e ainda única) edição das Jornadas Mesoamericanas ocorreu apenas agora. Bem, considerando que fui eu a dar maior impulso ao próprio Encontro (tendo sua primeira edição sido realizada na UFF, minha antiga universidade), e a propor inicialmente as Jornadas, nada mais justo do que a primeira edição desse novo evento fosse, também, pelo Rio.

Mas que organizar? Uma palestra? Quem convidar?

Pareceu-me apropriado - mesmo justo - convidar a amiga Carol para apresentar sua dissertação, com muito mais tempo do que havia sido no primeiro Encontro. Antes de mais nada, é bom recordar que a Carol é uma "mayanista" da nova geração brasileira (a única de que eu tenha notícia nos últimos anos) que, assim como eu, voltou mais sua pesquisa para os calendários mayas. Acaso ou não, estamos ambos no Rio de Janeiro (ou melhor, no Grande Rio, orbitando a capital fluminense). Ou seja, em termos de calendário maya, a Carol é o mais próximo que tenho de um(a) interlocutor(a) no Brasil. 

Além desta já excelente razão para convidá-la, a conjuntura colocou uma situação em que tratava-se, também, de promover um retorno "à academia", no lugar em que cursou seu mestrado. E com sua bebê Isis de colo, que Carol engendrou não muito depois do seu mestrado (defendido em 2016). Talvez já estívessemos colegas de doutorado ahorita, mais uma boa razão para tê-la conosco; oxalá ela logo chegará lá - até para não me deixar sozinho com os calendários mayas.

Carol tem uma irmã gêmea, Gabriela (Bibi), que iniciou neste semestre o mestrado "comigo" (que estou iniciando doutorado), no mesmo lugar em que a irmã havia cursado. Ela certamente foi a mais empolgada com a palestra, especialmente por ser com a irmã dela. Mais do que isto, ela era fundamental para viabilizar a palestra: alguém precisava dar uma ajuda com a baby, que estaria presente na UFRJ conosco. E a tia realmente cuidou da sobrinha durante a palestra, de modo que não conseguiu acompanhar quase nada. Ao longo do processo da organização, descobri que há uma certa idolatria dela pela Carol (mesmo um "fã clube", do qual Bibi é a presidente hehehe). Fã clube cuja força eu logo conheceria.

A articulação da palestra foi bem simples, sem a divulgação que o evento merecia, inclusive. De qualquer maneira, consegui a reserva do espaço sem muitas dificuldades e elaborei a arte - o espaço mudou depois, e não gostei muito disto, mas... Paciẽncia. Lancei a nova arte de pronto. Carol estava meio preocupada com o fato de incorporarmos (sem permissão do detentor dos direitos) uma fotografia que ela achou no catálogo sugerido por mim, o Maya Vase, de Justin Kerr. Assim, solicitei autorização, que veio pronta e gentilmente.

"Tudo" resolvido, palestra divulgada, semestre engolindo a gente. A palestra e a própria dissertação da Carol, foram, inclusive, divulgadas por aqui, vide (1) Palestra sobre calendário maya no Rio de Janeiro (24/04/2019), (2) CalendarioMaya.NET disponibiliza dissertação sobre calendário maya em primeira mão. A palestra foi também transmitida ao vivo, e disponibilizada: (3) Assista na íntegra a palestra sobre calendário maya no Rio de Janeiro (24/04/2019).

Em certo momento, eu realmente estava achando que dependeríamos quase que exclusivamente do fã clube da Carol, mobilizado pela Bibi, para termos algum público na palestra. Além da divulgação que poderia ter sido muito melhor (de minha parte, em especial), à época o HCTE parecia meio... Arrastado, diria um outro antropoloko. Parece que não se interessaram muito, mesmo eu e Bibi enfatizando aos estudantes que o dia e o horário haviam sido planejados para que eles pudessem participar de uma atividade "organizada de estudante para estudantes". Pode ser esta uma dificuldade em um ambiente interdisciplinar, que abriga pesquisas muito diferentes mas potencialmente distanciadas uma das outras. Assim fica difícil.

O público, de fato, foi basicamente o fã clube da Carol, mais eu e o orientador (da Carol e agora meu), Rundsthen.

De qualquer maneira, tivemos mais de 10 pessoas, e o evento fluiu muito bem, cumprindo seus objetivos. Este texto, porém, não é para descrever tanto o durante da palestra, que afinal está "eternizada" (enquanto durarem as mídias digitais e a internet, amém). Mas mais, talvez, o ambiente e o que eu senti com o evento.

Senti que sim, a Carol adorou estar ali, apresentando sua dissertação, retornando ao HCTE, essas coisas. O que refletiu-se numa injeção de certo ânimo, donde este anda faltando (este ano de 2019 está fueda, não?). Saí dali altamente motivado, como talvez não tenha estado ainda este ano, e quero acreditar que a Carol também se sentiu motivada, a Bibi, e o público. O ambiente acolhedor e informal que constituiu a palestra transbordou justo após a apresentação, e uns bons minutos de dúvida e conversa. Quando eu ia dando por encerrado o evento - eu precisava correr para Nictheroy, ou então eu iria mofar no trânsito -, o fã clube se revelou, e três ou quatro pessoas empunharam cartazes apoiando a Carol, motivando-a, mesmo endeusando-a, se quisermos.

Tratou-se, certamente, de um grande gesto de carinho, planejado pela Bibi junto aos amigos dela e da Carol, numa surpresa que foi surpresa até para mim e que, obviamente, a Carol amou. E, assim, eu pude ter mais do que certeza de que minha tarefa estava mais do que cumprida.

Mais ainda, para minha segunda surpresa, a primeira das Jornadas Mesoamericanas com a Carol serviu como uma boa semente, e o fã clube promoveu um "repeteco" da palestra, desta vez promovido pelo Centro Acadêmico de Física da UERJ, no campus Maracanã, e realizado com ainda mais sucesso no último dia 27 de maio.

Obs.: este texto era pra ter saído antes, foi esboçado logo após a palestra mas acabou ficando pra... Hoy. Já estou bem distanciado da experiência, mas continua sendo uma ótima memória. Espero que as coisas melhorem nesse caos que será junho e julho...

Saludos